|
Pensar agroecologia significa perpassar a condição produtivista de alimentos, mesmo que esta seja puramente orgânica, transpondo-se a um estágio crítico do pensamento sobre a atitude de agricultar. É compreender que a vida em sua dinâmica é consolidada através de processos de interdependência, relacionando-se com o único propósito: consolidar mais vida. Uma temática transversal nas dimensões do universo sócio-cultural, econômico-ambiental e político, que se propõe a restabelecer os laços rompidos pelo cartesianismo produtivo.
Nas relações que nos são colocadas pela sociedade moderna capitalista, vimos a agroecologia como resistência a um modelo excludente de desenvolvimento que desapropria os saberes tradicionais, impõe sua lógica mercantil e, dotados de extrema arrogância e irracionalismos, agridem e destroem os recursos naturais. O que para agroecologia é visto como insustentável, para a agricultura moderna convencional é tido como avanços científicos e tecnológicos.
A tecnologia na agroecologia em suma é simples, impregnada de saberes e tradições, de traços de uma cultura ancestral que privilegia a convivência harmônica no que diz respeito à produção de alimentos. Agroecologizar é problematizar a agricultura “daninha” que vem causando fome e desesperança a milhões de seres humanos no mundo inteiro. É romper com antigas e novas formas de aprisionamento que, desavisados ou imersos em um intenso processo de dormência, tornam o povo ainda mais submisso às ilusões de uma agricultura que o oprime.
Não podemos conceber uma agroecologia que se volte apenas para os aspectos técnicos e científicos, assim como não podemos legitimar uma agricultura que, aliada a interesse corporativistas e mercenários, ignore o processo histórico cultural das populações tradicionais. Agroecologia é dinâmica e nesse processo pedagógico de compreender a vida através do trabalho, o diálogo é condição fundamental de sucessão de um estado dormente a um de pensamento crítico, numa reflexão contínua de sua ação e reflexão sobre a ação, construindo um conhecimento coletivizado e autogestado pelos atores que o promovem.
A agrofloresta, como diria o guru, é o topo da cadeia agroecológica. Através de sistemas produtivos sucessionários e biodiversos, é possível um maior envolvimento de saberes. O diálogo agroflorestal é rico, biocrático e permeia o universo do conhecimento popular. Um dos objetivos é a regeneração das formas, ciclagem de nutrientes e equilíbrio dinâmico análogo à vegetação original do ecossistema onde se pretenda implantar.
Sua composição multi-estratificada e biodiversificada, associada aos benefícios gerados pela tendência a um equilíbrio ecológico, são também objetivos da agrofloresta. Quintais são, na maioria dos casos, sistemas biodiversos o que vem confirmar o interesse popular por esses sistemas. Dessa forma é possível criar condições progressivas para autonomia da classe trabalhadora que atua no campo agroecológico, assegurando através de um processo pedagógico com o trabalho e a vida, espaços produtivos de alimentos saudáveis e conhecimento autogestivo.
Wilkson Gondim Técnico Educado de SAF
|