PARCEIROS


MERCADO E DESENVOLVIMENTO LOCAL, ECOLÓGICO- SUSTENTÁVEL

 

É importante àqueles que pretendem intervir numa determinada área com o fim de promover  um desenvolvimento sustentável com base na justiça social e equilíbrio ecológico, um conhecimento sobre o ecossistema local. Descobrir as potencialidades e limitações dos ecossistemas do local é o principal passo para uma proposta de desenvolvimento local sustentável, algo além disso é amadorismo ou oportunismo de mercado que trará prejuízos futuramente.

 

Com respeito aos aspectos econômico-sócio-culturais, deve-se considerar as relações sociais e saber que permeiam o meio, isso inclui a religiosidade e espiritualidade, assim como a micro economia local. Historicamente, foram vários os erros cometidos por técnicos e doutores que negligenciaram a realidade local, impondo, mesmo que de forma inconsciente, seu próprio modelo de desenvolvimento. Cada região tem uma lógica distinta e é preciso sensibilidade para lidar com essas peculiaridades.

 

Conhecer e respeitar a economia local já existente é uma boa premissa para aqueles que querem desenvolver economicamente uma comunidade com potencial de mercado. Devemos buscar uma atividade econômica em que os principais beneficiados sejam os membros da comunidade e a natureza locais. Isso só será possível com o desenvolvimento de uma economia ecológica.

 

O Brasil vem vivenciando, nas últimas décadas, um considerável desenvolvimento da produção ecológica. Movido pela necessidade de criar uma cultura alternativa ao modelo tradicionalista, caracterizado pelo uso de agroquímicos, desrespeito ao meio ambiente e exclusão social, alguns pequenos agricultores têm se organizado para produzir de forma diferenciada, com princípios pautados no respeito e na ética.

 

Inicialmente, essa produção era feita de forma incipiente por alguns agricultores isolados, entretanto nos últimos anos esse movimento tem se fortalecido. Percebe-se uma maior conscientização do pequeno agricultor, que hoje tem uma maior compreensão da importância de um manejo sustentável e de como poder contar com uma melhor renda resultante da comercialização de produtos sem a presença de agroquímicos; dos consumidores, mais sensíveis a questões ligadas à preservação do meio ambiente e aos benefícios da alimentação orgânica; das ONGs que têm desenvolvido trabalhos de desenvolvimento local sustentável dentro de uma perspectiva do conhecimento da realidade local.

 

No que se refere à comercialização, as feiras ecológicas orgânicas ou agroecológicas têm propiciado a grupos de agricultores a possibilidade de  oferecer seus produtos diretamente ao consumidor, atenuando ou eliminando  a presença da figura do “intermediário”. Algumas redes de supermercados das capitais do País também oferecem produtos agroecológicos em suas prateleiras. Apesar do preço diferenciado, a saída desses produtos é eficiente. Está comprovado que o consumidor está preparado a pagar um preço maior pelos produtos orgânicos.

 

Dentro dessa perspectiva, o mercado justo tem se apresentado como um espaço ético e democrático para o escoamento da produção. Esse movimento surgiu na década de 60, quando ONGs, consumidores e agências européias se uniram, movidos pelo interesse de promover um espaço onde pequenos produtores de países em desenvolvimento pudessem vender seus produtos a preços justos. O movimento ficou conhecido mundialmente como “Fair trade” ou “Comércio Justo”. Aqui no Brasil, tomou força na década de 70 e hoje é referência entre aqueles que trabalham dentro de uma lógica econômica sustentável.